A fachada de um edifício está exposta 24 horas por dia à ação da chuva, do vento, da variação de temperatura e da poluição. Sem um sistema de impermeabilização e proteção adequado, a umidade infiltra pela argamassa, pelas juntas e pelas trincas, comprometendo a estrutura, gerando manchas e exigindo reformas custosas.
Por que a fachada precisa de impermeabilização
O revestimento de fachada – seja reboco, cerâmica, ACM ou outro material – não é impermeável por natureza. Com o tempo, a ação climática abre microfissuras, desgasta as juntas de argamassa e cria caminhos para a água penetrar. Quando isso acontece:
- A umidade alcança o concreto estrutural e favorece a corrosão das armaduras
- Manchas de eflorescência aparecem na superfície
- O revestimento descola ou desaba
- O interior do edifício recebe infiltração pelas paredes externas
Sistemas de impermeabilização para fachada
Hidrofugante de superfície
É o sistema mais comum para fachadas com revestimento em bom estado. O hidrofugante penetra nos poros da argamassa ou cerâmica e cria uma barreira repelente à água, sem alterar a aparência do revestimento. Deve ser aplicado após limpeza completa da fachada e correção de fissuras.
Sua limitação é que não funciona onde há fissuras abertas ou revestimento comprometido. É um produto de manutenção preventiva, não de recuperação estrutural.
Pintura elastomérica
Tintas elastoméricas formam uma película flexível sobre a fachada, capaz de acompanhar pequenas movimentações da estrutura e cobrir microfissuras com até 0,3 mm de abertura. São indicadas para fachadas de reboco pintado ou revestimento à base de cimento.
Precisam de repintura periódica (a cada 3 a 5 anos) para manter o desempenho impermeabilizante.
Argamassa de recuperação com impermeabilização
Quando o revestimento existente está comprometido – com trincas, desplacamento ou infiltração ativa -, a solução é remover o reboco danificado, tratar as trincas e aplicar nova argamassa com aditivos impermeabilizantes, seguida de pintura de acabamento. É um serviço mais invasivo, mas necessário quando o problema já avançou.
Sistemas de revestimento de alta espessura
Em edifícios com fachada muito degradada ou fissuras estruturais frequentes, o uso de revestimentos texturizados de alta espessura com resina acrílica cria uma barreira mais robusta. Esses produtos são aplicados em duas ou três demãos, cobrem fissuras de até 1 mm e têm maior durabilidade que tintas convencionais.
Etapas da execução em fachada
1. Diagnóstico e levantamento de patologias
Antes de qualquer serviço, a fachada é inspecionada para mapear fissuras, manchas de umidade, revestimento solto e eflorescências. Esse diagnóstico define o sistema a ser aplicado.
2. Limpeza da fachada
A hidrojateamento remove sujeira, fungos e camadas de tinta soltas, preparando a superfície para o tratamento. Em fachadas com eflorescência, é necessária neutralização química antes da limpeza.
3. Tratamento de fissuras e juntas
Fissuras são abertas em “V”, limpas e seladas com selante elastomérico ou argamassa de reparo, dependendo da abertura e atividade. Juntas de assentamento degradadas são refeitas com argamassa própria.
4. Aplicação do sistema impermeabilizante
Conforme o diagnóstico, aplica-se o hidrofugante, a tinta elastomérica ou o sistema de revestimento espesso. O número de demãos e o consumo por metro quadrado variam conforme o produto e a porosidade do substrato.
Periodicidade da manutenção
A norma NBR 5674 recomenda inspeção periódica das fachadas. Como referência prática:
- Hidrofugante: reaplicação a cada 5 a 8 anos
- Tinta elastomérica: repintura a cada 3 a 5 anos
- Revestimento de alta espessura: manutenção a cada 7 a 10 anos
Edifícios em regiões com alto índice de chuva ou poluição podem precisar de intervalos menores.
Responsabilidade em condomínios
Em edifícios, a impermeabilização de fachada é responsabilidade do condomínio, pois se trata de área comum. A deliberação para execução do serviço passa por assembleia e precisa constar no planejamento de manutenção predial previsto pela norma.




